A essência do ministério de adoração não está na música nem na performance, mas no relacionamento com Cristo. Rory Noland, em O Coração do Artista, afirma: “O meu ministério é produto do meu relacionamento com Cristo.” Essa verdade, tão simples e ao mesmo tempo tão profunda, nos lembra que o ministério autêntico não nasce da técnica, da visibilidade ou da performance no palco, mas da comunhão íntima com o Pai.
Há uma relação direta entre conhecer a Deus e dar fruto. Jesus disse: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:4–5). O ministério que frutifica é aquele que permanece ligado à videira.
Sem Ele nada podemos fazer. Ao aplicarmos essa verdade aos nossos ministérios de adoração, voltamos à essência: adorar é relacionamento com Cristo. E esse relacionamento transborda na forma como cantamos, tocamos e conduzimos o louvor. Quando compreendemos essa verdade, desejamos formar, em nossas equipes, artistas cristãos mais maduros e parecidos com Cristo. Queremos ministérios compostos por músicos não apenas excelentes tecnicamente, mas também apaixonados por Jesus.
“Os artistas cristãos que servem em nossas igrejas precisam de cuidado e orientação especial para que possam ser crentes maduros, realizados e abençoadores em tudo o que fazem no ministério.” (Trecho do livro Ministério de Adoração na Igreja Contemporânea, de Carlito Paes e Sidney Costa.)
Por isso, o discipulado é a chave para o crescimento espiritual e saudável das nossas equipes de louvor. Discipular é mais do que ensinar lições bíblicas; é acompanhar de forma constante, gerando transformação de vida e mudança de caráter. É vida na vida, como a própria igreja primitiva experimentou. Jesus discipulou caminhando com as pessoas, compartilhando refeições, ouvindo histórias, ensinando nas estradas e curando corações feridos.
No ministério de louvor, o discipulado precisa ter esse mesmo caráter encarnado. Ele acontece quando líderes se dispõem a caminhar com sua equipe fora do palco, a compartilhar devocionais nos ensaios, a orar juntos antes dos cultos, a estudar a Palavra durante a semana e a criar ambientes de comunhão e prestação de contas.
São nesses momentos que a fé se fortalece e o coração é moldado. Quando uma equipe é discipulada, ela cresce em maturidade e unidade. As comparações diminuem, os conflitos se resolvem com graça e o foco volta a ser Cristo. O discipulado protege o coração do artista da vaidade, da indiferença e da frieza espiritual. Ele fortalece o caráter e sustenta o ministério ao longo do tempo.
Como começar a discipular sua equipe:
O discipulado pode começar com intencionalidade, aproveitando os momentos que já existem no dia a dia do ministério. Aqui vão três caminhos práticos de como começar:
Transforme seus ensaios em ambientes de crescimento espiritual
Antes de começar o ensaio, reserve um tempo para oração, leitura da Palavra e compartilhamento. Esse momentos serão com certeza muito edificantes para sua equipe e trarão alimento espiritual.
Ore e compartilhe a Palavra antes dos cultos
Use esse tempo para lembrar à equipe que o mais importante não é apenas a performance, mas um coração que adora o espírito em verdade.
Promova discipulado fora do palco
Forme pequenos grupos, crie grupos de leitura, estudos devocionais de um livro em específico ou cafés/ encontros de comunhão. Incentive cada integrante do ministério a ser um membro ativo da vida da igreja, participando dos cultos (não só quando estão na escala), participando de uma célula ou grupo pequeno.
Segue alguns materiais para estudo que podem ser feitos em grupo:
– Livro O Coração do Artista de Rory Noland
– Livro A Vida do Artista – Esperança nas relações entre o artista e a igreja – Rory Noland
– Livro 52 Devocionais para Ministérios de Louvor: Reflexões para inspirar e fortalecer o ministério de louvor de sua igreja do autor Ramon Chrystian
– Livro Coração de Adorador, Espírito de Excelência de Raquel Emerick
– Livro Segredos do Lugar Secreto de Bob Sorge
Lembre-se mais do que formar bons músicos, somos chamados a formar discípulos. O ministério de adoração só se torna pleno quando o som que sai dos instrumentos é fruto de vidas rendidas a Cristo. O palco, então, deixa de ser um lugar de performance e se torna um espaço de expressão daquilo que já está acontecendo no secreto.
REFERÊNCIAS:
NOLAND, Rory. O coração do Artista : Construíndo o caráter do artista cristão. traduzido por Jorge Camargo. São Paulo : Ekklesia/ W4ENDOnet Comunicação e Editora, 2002.
COSTA, Sidney; PAES, Carlito. Ministério de adoração na igreja contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2003
Escrito por Sarah Ribeiro Moret, Ministra de Música na Segunda Igreja Batista de Curitiba, formada em Música Sacra (CETEBES – Centro de Educação Teológica Batista do ES) , Licenciatura em Música pela Universidade Federal do Espírito Santos e em Teologia pela FTSA (Faculdade Teológica Sul Americana). Instagram: @sarahribeiromoret