Já pensou se Jesus liderasse o ministério de música da sua igreja?
Será que Ele se preocuparia mais com a técnica… ou com as pessoas? Com certeza seria diferente. Às vezes achamos que basta ser um bom músico para ser um bom líder de adoração. Mas não é bem assim.
Quando o talento não é o bastante
João era um líder talentoso, um ministro de música excepcional. Tocava bem, sabia montar repertórios e tinha muitas ideias criativas. Mesmo assim, sua equipe estava fria, cansada e dividida. O ambiente era pesado e os relacionamentos estavam frágeis .Por muito tempo, João acreditou que o problema era a falta de comprometimento dos outros. Mas, com o tempo, ele percebeu que o verdadeiro desafio não era apenas fazer música ou organizar escalas. Era pastorear pessoas.
Você conhece algum João? Qualquer semelhança não é mera coincidência. Com certeza não é apenas ele que enfrenta essas questões. Em algum momento do ministério, todos nós nos deparamos com esse mesmo desafio: cuidar de pessoas e não apenas de tarefas.
E essa é uma das grandes lições do livro O Coração do Artista, de Rory Noland. Liderar artistas não é apenas coordenar uma equipe criativa, ajustar o som ou definir escalas. É cuidar do coração daqueles que Deus colocou sob a nossa liderança. Ser líder de adoração é enxergar além da performance e perceber a alma por trás do instrumento ou do microfone. É ajudar pessoas a crescerem em caráter, fé e comunhão.
O modelo de Jesus
Jesus é o nosso maior exemplo de liderança. Ele liderou servindo. Não buscou ser aplaudido, mas se entregou por inteiro pelos outros. Esse é o papel espiritual de todo ministro de música: servir, amar e cuidar do rebanho que Deus confiou a nós No fim, ministério é sobre pessoas. E Rory Noland reforça esse mesmo princípio ao dizer:
“1 Coríntios 3.11-14 nos encoraja a construirmos nossos ministérios naquilo que permanecerá. Você constrói um ministério duradouro ao construí-lo baseado em pessoas. Seria uma pena chegarmos ao fim de nossas vidas e descobrirmos que tudo o que temos pra mostrar como fruto do nosso trabalho duro são algumas gravações feitas pelo coro, algumas produções teatrais, ou alguns poucos elogios a algo que tenhamos criado. E as pessoas? Os artistas estão melhores hoje por haverem trabalhado sob nossa liderança? Cresceram espiritualmente por haverem feito parte de nossas equipes? Não tenha apenas um grupo de artistas reunidos sem que sejam edificados.” (Trecho do livro O Coração do Artista, cap. 8 – Liderando Artistas)
As apresentações, os musicais, cantatas e os eventos passam. Mas vidas transformadas permanecem.
O que realmente importa no fim
Jesus deixou muito claro em Mateus 28.19–20: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…”
Ele não disse: “Ide e formem bandas maravilhosas, coros belíssimos ou musicais inesquecíveis.” Nosso chamado vai além da excelência musical. Deus não nos chamou apenas para criar música, mas para formar discípulos entre os artistas. O sucesso técnico nunca poderá substituir o cuidado espiritual. O verdadeiro fruto de um ministério não é o aplauso das pessoas, mas o crescimento espiritual de quem serve ao nosso lado. “De forma simples, o desejo de Jesus é que sejamos conhecidos por nosso amor, não por nossos números.” (Trecho do Livro A Escolha)
O papel espiritual do ministro de música é este: não apenas conduzir canções, mas cuidar de corações. Não é apenas preparar vozes, mas também formar vidas. Mais do que montar uma escala, é edificar uma equipe que ama a Deus e uns aos outros. Se Jesus liderasse o ministério de música da sua igreja, Ele começaria pelo coração.
Pergunte a si mesmo, líder:
– As pessoas que servem comigo estão crescendo espiritualmente?
– Tenho orado por elas, conhecido suas lutas e acompanhado suas jornadas?
Que o Senhor nos ensine a liderar como Jesus: com um coração que serve, acolhe e forma discípulos em cada ensaio, em cada música e em cada pessoa.
REFERÊNCIAS:
NOLAND, Rory. O coração do Artista : Construíndo o caráter do artista cristão. traduzido por Jorge Camargo. São Paulo : Ekklesia/ W4ENDOnet Comunicação e Editora, 2002.
RODIN, R. Scott; WILLMER, Wesley K.; HOAG, Gray G. A Escolha: A busca pela vontade de Deus para o ministério. Publicações Pão Diário, 2017
Escrito por Sarah Ribeiro Moret, Ministra de Música na Segunda Igreja Batista de Curitiba, formada em Música Sacra (CETEBES – Centro de Educação Teológica Batista do ES) , Licenciatura em Música pela Universidade Federal do Espírito Santos e em Teologia pela FTSA (Faculdade Teológica Sul Americana). Instagram: @sarahribeiromoret